sábado, 17 de novembro de 2012

I Seminário de Políticas Metropolitanas - Porto Alegre

REGIÃO METROPOLITANA
Paulo Roberto Rodrigues Soares*

Texto publicado no jornal Correio do Povo.
Atlas Socio Econômico do RS
Dias 21 e 22 de novembro o Governo do Estado e a Metroplan promovem o primeiro Seminário de Políticas Metropolitanas. Será uma importante oportunidade para o debate do futuro da Região Metropolitana de Porto Alegre. E o momento não poderia ser mais oportuno. Com o esgotamento do modelo neoliberal, o novo ciclo de desenvolvimento do país, gerou um longo período de crescimento econômico que afeta fortemente as concentrações metropolitanas. Um novo ciclo de desenvolvimento, baseado na expansão dos serviços, na construção civil e nas obras do PAC e da Copa do Mundo reestrutura os espaços metropolitanos.

É preciso pensar a Região Metropolitana de acordo com novos referenciais. A estrutura espacial tradicional, na qual os serviços e os empregos se concentravam no centro da metrópole e as áreas habitacionais nos municípios da periferia, está superada pela nova realidade metropolitana. Hoje as regiões metropolitanas tendem à policentralidade, isto é, passam a ter diferentes centralidades. Os municípios metropolitanos se desenvolvem em termos de comércio e serviços e a mobilidade é muito mais complexa, ocorrendo em diferentes tempos e direções.

Também a indústria, o motor do crescimento metropolitano no período desenvolvimentista, experimenta novas localizações, que não necessariamente são metropolitanas. Além disso, a nova organização das empresas e do trabalho industrial, resultado da revolução tecnológica em curso, diminui o número de empregos nas plantas industriais, gerando novas atividades no setor de serviços. Assim, é preciso pensar que o futuro do emprego metropolitano está nos serviços e na nova economia da informação.

A partir da Constituição de 1988 os estados passaram a ter a responsabilidade de determinar suas regiões metropolitanas. Isto gerou a perda de referenciais nacionais para os espaços metropolitanos. Somando todas as regiões com "status" metropolitano temos mais de 50 regiões metropolitanas institucionalizadas no país. Muitas são metrópoles "de papel", as quais o território legal não apresenta as características mínimas para ser qualificado como metropolitano. Felizmente isto não ocorre em nosso estado, entretanto é preciso resistir à tentação de incluir municípios na Região Metropolitana de forma pouco criteriosa.

As regiões metropolitanas são espaços complexos, onde a imensa concentração de riquezas convive com amplos espaços de exclusão social. Planejar a metrópole exige uma ampla concertação de diferentes atores políticos, econômicos e sociais. Conhecer a realidade metropolitana, estudar a fundo as suas características econômicas, sociais e ambientais, e acima de tudo, discutir de forma aberta e democrática a gestão deste espaço complexo é um primeiro passo para um desenvolvimento social e ambientalmente mais equilibrado.

*professor da Ufrgs e pesquisador do Observatório das Metrópoles, Núcleo Porto Alegre. 

Veja a programação do I Seminário de Políticas Metropolitanas
DATA: 21 e 22 de novembro de 2012
HORAL 9h - 18h
LOCAL: Hotel Continental - Largo Vespasiano Júlio Veppo, 77 Porto Alegre
Informações pelo telefone 32886012 ou
gabinetedegovernanca@metroplan.rs.gov.br



Um comentário:

Daryl Steel disse...

Finalmente alguém em Porto Alegre está preocupado com o desenvolvimento do espaço público metropolitano. Eu acho que esta cidade é muito bom, mas precisa de um projeto para embelezar locais públicos. Eu trabalho em imobiliarias porto alegre e eu posso ver o grande potencial da nossa cidade. Só temos que trabalhar mais para melhorar a locais públicos.