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domingo, 29 de novembro de 2015

CARTA DE SOLIDARIEDADE À OCUPAÇÃO LANCEIROS NEGROS - PORTO ALEGRE/RS


                 Vimos por meio desta carta manifestar nossa solidariedade e apoio aos companheiros da Ocupação Lanceiros Negros, localizada no  centro da cidade de Porto Alegre,  a qual é articulada pelo Movimento de Luta dos Bairros e Favelas – MLB entidade que integra o Fórum Estadual de Reforma Urbana do Rio Grande do Sul – FERU | RS.

           Entendemos que a moradia é um direito humano e um componente fundamental para o cumprimento da função social da propriedade urbana e da cidade, conforme previsto na Constituição Federal, e que prédios públicos desocupados do Estado devem, na cidade, servir para moradia popular,  conforme Constituição Estadual em suas disposições transitórias (Art. 14 da Constituição Estadual).  Neste momento em que, o estado, mais especialmente a região metropolitana de Porto Alegre tem sido o palco de  vários despejos,  considerado pela ONU uma grave violação aos direitos humanos (Resolução nº 2004/2841 do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas)[1], é fundamental que possamos  reafirmar a necessidade de se avançar na proteção e na garantia de direitos fundamentais, como o direito à moradia,  e na  democratização da cidade,  especialmente dos espaços públicos e das áreas centrais a exemplo do que ocorre na já consolidada Ocupação Vinte de Novembro e como vem sendo pautado na luta da Ocupação Saraí, ambas localizada no centro de Porto Alegre.

               Desde o dia 14 de novembro, a Ocupação Lanceiros Negros traz vida, com as suas 98 famílias,  para um prédio vazio, de propriedade do Estado do Rio Grande do Sul localizado no centro de Porto Alegre. São famílias que, a exemplo de milhares de outras no estado do Rio Grande do Sul, não têm outras alternativas de moradia e são vítimas da exclusão social ocasionada pela pressão da especulação imobiliária e da incapacidade do Poder Público de prover moradia digna e da sua ineficácia em regular o mercado de terra, conforme definido na Constituição Federal e no Estatuto da Cidade (Lei 10.257/01).
Lanceiros Negros, Saraí, Vinte de Novembro nos levam a uma reflexão: Quem tem direito a morar no centro das grandes cidades? Quem tem direito aos equipamentos e serviços públicos, ali disponíveis? A cidade está a serviço de quem?

             Mesmo na luta por um direito constitucional e ocupando um prédio que não cumpre, com uma função social desde 2006, a Ocupação Lanceiros Negros está ameaçada de despejo, pois o Estado do Rio Grande do Sul já entrou com Ação de Reintegração de Posse.

            Entendemos que esta ação do Estado é muito contraditória, visto que recentemente o mesmo Estado, através deste Conselho instalou um Grupo de Trabalho para prevenir e mediar conflitos urbanos. Neste sentido, judicializar este conflito, sem ao menos dialogar com os moradores, é uma atitude que se choca frontalmente com o que tem sido deliberado nas conferencias e nas plenárias do Conselho Estadual das Cidades.  

               Importante destacar que o Grupo de Trabalho instituído pelo Decreto Estadual Nº 51.712/2014 e que tem por finalidade “buscar alternativas concretas para a solução de situações específicas relacionadas com a desocupação de áreas públicas e privadas urbanas no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul – Grupo de Trabalho dos Conflitos Fundiários”, vem na esteira de uma Política Nacional de Prevenção e Mediação de Conflitos Fundiários Urbanos[2], que diz ser papel, ação  e competência comum a todos os entes federados “promover o diálogo e a negociação entre as partes afetadas pelo conflito, instituições e órgãos públicos das três esferas da federação e entidades da sociedade civil vinculados ao tema, com o objetivo de alcançar soluções pacíficas nos conflitos fundiários urbanos, garantindo o direito à moradia digna e adequada e impedindo a violação dos direitos humanos”.

Requeremos:
 - A suspensão da Ação de Reintegração de Posse movida contra a ocupação Lanceiros Negros,  através da sinalização do governo do Estado do Rio Grande do Sul ao Poder Judiciário informando o seu interesse em abrir dialogo a partir do  Grupo de Trabalho instituído pelo Decreto Estadual Nº 51.712/2014;

 - O IMEDIATO estabelecimento do Grupo de Trabalho, pelo governo do Estado do Rio Grande do Sul,  como o espaço para a mediação do conflito vivido pela Ocupação Lanceiros Negros;

- A realização de uma Audiência Pública, chamada pelo Grupo de Trabalho de Conflitos Fundiários urbanos do Conselho estadual das Cidades, para tratar sobre o tema dos conflitos fundiários urbanos envolvendo as ocupações de Porto Alegre, a sociedade civil e os representantes dos poderes executivo e legislativo  do município e do Estado bem como também do poder judiciário;

- O compromisso do governo do estado do Rio Grande do Sul com o Despejo Zero – nenhum despejo sem que existam respostas, em nível de políticas públicas, que garantam o direito à moradia das famílias.

 - A desapropriação por abandono, pelo Município de Porto Alegre/RS do prédio ocupado conforme prevê o art. 1276, caput do Código Civil Brasileiro.[3] 


[1] “A prática de despejos forçados é (considerada) contrária as leis que estão em conformidade com os padrões internacionais de direitos humanos, e constitui uma grave violação de uma ampla gama de direitos humanos, em particular o direito á moradia adequada.” Resolução nº 2004/2841 do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

[2] Resolução Recomendada nº 87/2009 do Conselho Nacional das Cidades.

[3] Art. 1.276. O imóvel urbano que o proprietário abandonar, com a intenção de não mais o conservar em seu patrimônio, e que se não encontrar na posse de outrem, poderá ser arrecadado, como bem vago, e passar, três anos depois, à propriedade do Município ou à do Distrito Federal, se se achar nas respectivas circunscrições.

§ 1o O imóvel situado na zona rural, abandonado nas mesmas circunstâncias, poderá ser arrecadado, como bem vago, e passar, três anos depois, à propriedade da União, onde quer que ele se localize.

§ 2o Presumir-se-á de modo absoluto a intenção a que se refere este artigo, quando, cessados os atos de posse, deixar o proprietário de satisfazer os ônus fiscais.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

MANIFESTO DE APOIO À OCUPAÇÃO LANCEIROS NEGROS E CONTRA OS DESPEJOS



O Fórum Estadual de Reforma Urbana manifesta APOIO à Ocupação Lanceiros Negros e reafirma a orientação do Conselho Estadual das Cidades referente aos Conflitos no Estado do Rio Grande do Sul, o qual define que ao conflitos fundiários devem ser mediados através do Grupo de Trabalho instituído pelo Decreto 51.712 de 5 de agosto de 2014.
O Fórum Estadual  e Reforma Urbana é CONTRA OS DESPEJOS pois considera esta pratica uma violação grave aos direitos humanos, em particular ao direito a uma moradia adequada, de acordo com a Resolução 1993/77 da Comissão dos Direitos Humanos das Nações Unidas.
Os despejos atingem comunidades e pessoas pobres que vivem nas cidades e que não têm acesso à moradia e a uma área de terra regularizada e que, por força disso, ocupam uma área abandonada na cidade, que não esteja cumprindo sua função social, ou até mesmo ocupando áreas de risco e alagadiças.
Por isso, faz-se necessária a proteção jurídico-processual de famílias, grupos ou comunidades ameaçadas de despejo antes e durante o curso de uma ação judicial, por exemplo. O Estado, os juízes e promotores públicos devem adotar o princípio da precaução nas ações de despejo, reintegrações de posse e reivindicatórias de propriedade, que envolvam comunidades pobres e grupos vulneráveis.
Não é mais possível que uma decisão judicial seja capaz de deixar na rua e ao relento centenas de pessoas, porque não têm condições de morar em outro local. Não podemos concordar com isso! É urgente que se cumpra a Resolução Recomendada nº 87/2009 do Conselho das Cidades que propôs uma política nacional de prevenção e mediação de conflitos fundiários urbanos no Brasil. É urgente que o Estado do Rio Grande do Sul adote de uma vez por todas uma instância administrativa que implemente a política nacional da Resolução nº 87/2009 e que uma decisão sobre um despejo ou não, não seja uma decisão isolada de um magistrado ou de um administrador público.
O Problema da falta de moradia é social e não policial!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Quase parada, revitalização do cais do porto ainda gera descrença

Fonte: Sul21.
 | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Há décadas Porto Alegre espera pela revitalização do cais do porto e dos antigos armazéns que contornam o Guaíba. Em 2010, através de um processo licitatório, o poder público concedeu a área a um consórcio formado por empresas brasileiras e estrangeiras, que desde então é responsável pelas obras. O consórcio Cais Mauá do Brasil S.A. neste momento gerencia a primeira fase dos trabalhos, mas faltam informações e sobram dúvidas sobre os detalhes da revitalização e o que deverá ser construído do outro lado do muro da Avenida Mauá.
O consórcio é composto pelas empresas GGS Holding LTDA, que detém 51% do controle e possui sócios espanhóis, NSG Capital, com sede no Rio de Janeiro e controle de 39% das ações, e Contern Construções, empresa paulista que detém os 10% restantes de participação. Juntos, formam a Cais Mauá do Brasil S.A. que promete entregar parte dos armazéns restaurados antes de junho de 2014, quando terá início a Copa do Mundo, que tem Porto Alegre como uma das sedes.
Apesar da promessa e da estruturação de um consórcio, até o momento são poucas as respostas sobre o futuro do porto. A empresa divulga em suas peças publicitárias que haverá “bares e restaurantes”, “centro comercial”, “espaço para shows e eventos” e “quatro mil vagas de estacionamento” naquele local. Mas até o momento não há efetiva movimentação no local. As obras da primeira etapa foram repassadas em novembro à empresa Procon Construções. O orçamento inicial das reformas iniciais foi estimado em R$ 70 milhões.
 | Foto: Camila Domingues/Palácio Piratini
Prefeitura de Porto Alegre discute a reforma do cais portuário há décadas | Foto: Camila Domingues/Palácio Piratini
“A informação dada pela empresa é a de que no mínimo dois armazéns estariam prontos para a Copa do Mundo. Estão iniciando as obras pelo restauro do patrimônio histórico que corresponde à licença recebida e entregue pelo prefeito e pelo governador”, afirmou Edemar Tutikian, secretário do Gabinete de Desenvolvimento e Assuntos Especiais (GADES) da Prefeitura de Porto Alegre. No dia 12 de novembro, em meio ao anúncio oficial do início das obras, a empresa garantiu 11 dos 19 armazéns prontos para o primeiro semestre do próximo ano.
Para além dos armazéns, poucos aspectos foram confirmados. O escritório do arquiteto espanhol Fermín Vázquez mostra no seu site oficial o projeto, ainda de 2011, de como ficaria o cais do porto de Porto Alegre após a revitalização. Orçado em quase 200 milhões de euros (cerca de 600 milhões de reais), o projeto estrangeiro mostra grandes prédios espelhados e espaço para compras na orla do Guaíba. Ainda assim, não há confirmação sobre a vigência da proposta. “As obras fazem parte da segunda etapa do projeto, que ainda depende de projetos arquitetônicos”, disse André Albuquerque, diretor-financeiro da Cais Mauá do Brasil.
Edemar Tutikian confirma a possibilidade da construção do shopping e dos prédios comerciais. “Estas duas partes existem para dar sustentação econômica ao projeto. Isto porque somente a utilização dos armazéns não dá sustentação ao projeto. Quem iria investir num projeto que não tem uma modelagem baseada na sustentabilidade?”, ponderou o secretário. É grande a dificuldade de se obter informações da empresa que assumiu o controle do local. A reportagem tentou entrevistar os diretores da Porto Cais Mauá durante vários dias, mas obteve apenas uma breve resposta por e-mail.
Ramiro Furquim/Sul21
Atualmente, o espaço entre os armazéns é restrito | Ramiro Furquim/Sul21
A empresa mantém uma sede junto aos armazéns portuários, mas não recebe a imprensa no local – da mesma maneira, seguranças particulares proíbem a caminhada pela área. Um dos trabalhadores que passava pelos galpões disse que “não há quase nada de movimentação” até o momento, e que a atividade estaria quase restrita a “ações publicitárias”. “Isso aqui não é Buenos Aires, não é a Espanha. Não sei se vai sair do papel”, disse. No último fim de semana, a privatização do cais do porto foi alvo de uma manifestação política e cultural na cidade. O coletivo Defesa Pública da Alegria e o Movimento Nacional da Luta pela Moradia (MNLM) levaram centenas de pessoas ao cais.
A presença dos manifestantes na orla, no entanto, foi barrada pela empresa. “Praticamente toda a área do cais está fechada. Quando perguntamos para os seguranças sobre os motivos, eles dizem que agora a área é privada. O pessoal foi até o pórtico e não pôde entrar. Depois a empresa justificou que o acesso está restrito porque as obras estão começando, mas não há sinais de obras e as primeiras reformas são muito pequenas”, contou Pepe Martini, integrante do coletivo Defesa Pública da Alegria. Na opinião de Pepe, a revitalização está sendo feita “às escondidas”. “O problema inicial é que não houve discussão pública desta reforma que a cidade espera há décadas”, contestou.
André Albuquerque, representante do consórcio, escreveu que “ainda há um desconhecimento por parte da sociedade organizada sobre o real projeto do cais Mauá a partir de sua revitalização”. “Mas podemos garantir que Porto Alegre e sua população não serão, de maneira alguma, apartados da relação com a área e com o seu rio”, disse o diretor-financeiro. A empresa afirma que encomendou uma pesquisa que busca “conhecer melhor o sentimento da população gaúcha com relação ao mix das operações que deverão ser instaladas na área”.
O contrato de arrendamento do espaço prevê a administração da área pela Cais Mauá do Brasil S.A. por 25 anos – com a possibilidade de renovação por mais 25. Edemar Tutikian garante que a Prefeitura de Porto Alegre irá fiscalizar a atuação privada “para saber se as regras predeterminadas estão sendo cumpridas” conforme o acordo. Pepe Martini, por sua vez, acredita que a revitalização – nestes moldes – acabará por elitizar o espaço portuário. “O espaço precisa ser democrático, popular, e não apenas de alta gastronomia para a elite de Porto Alegre. Não queremos uma Padre Chagas na beira do Guaíba”, opinou.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Centro Histórico de Porto Alegre se mobiliza

Fonte: Associação Comunitária do Centro Histórico de Porto Alegre

02/Dezembro as 17h30: Entrega da carta da comunidade do Centro Histórico ao Prefeito



Museu Foto:Ramiro Furquim/Sul21
Olá Companheir@s!

A cidade pulsa, se arvora, e desabrocha em lutas pela vida, por todos os cantos. Nosso desafio é uni-las.

O Centro Histórico e a orla são os pontos mais vulneráveis, objetos de cobiça predatória da especulação imobiliária.

A prioridade atual da Associação do Centro é impedir que uma nova lei aprovada na Câmara, que incentiva a conclusão de obras inacabadas, venha a beneficiar dois empreendimentos ainda não iniciados na Rua Duque de Caxias, em terrenos localizados em ambos os lados do Museu Julio de Castilhos.

Serão quatro torres (uma para hotelaria), com demanda de construção de quatro pisos acima da garagem do Zaffari Fernando Machado, só para atender às vagas de estacionamento. Pólos geradores de trânsito serão implantados em região já saturada, o que levará o lugar a uma condição insustentável. O Impacto de Vizinhança e o dano ao Patrimônio Histórico e Cultural são incalculáveis.
Vista do jardim. (foto:Ramiro Furquim/Sul 21)

Agora chega a fase da sanção da Lei. Na próxima segunda feira, dia 02/12, às 17h30, promoveremos um ato de entrega ao Prefeito de uma carta da comunidade do Centro Histórico, solicitando veto parcial, assinada por apoiadores de todas as lutas. A comunidade está desgastada por mais de um ano de embate frente ao parlamento, já esgotada e sem esperanças.

Precisamos da ajuda de tod@s!

Acreditamos firmemente que uma demonstração unitária de tod@s será fundamental para impedirmos que a intenção prospere com a validação integral da lei.
Solicito a tod@s que puderem colaborar que respondam esta mensagem, confirmando a presença na segunda feira e/ou assinando em apoio à comunidade.

Os apoiadores que quiserem, em seus círculos de contatos, poderão coletar assinaturas de apoio, levando posteriormente no ato de entrega da segunda feira.

Paulo Guarnieri
presidente da Associação Centro
e-mail de contato: pguarnieri13@bol.com.br

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Carta que será entregue ao Prefeito Fortunati.