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quinta-feira, 19 de março de 2015

Ocupação no Rubem Berta compra terreno e impede reintegração de posse

Fonte: Sul21
Foto: Alina Souza/Sul21
Famílias vivem no local desde setembro, após passarem por reintegração de posse | Foto: Alina Souza/Sul21


Débora Fogliatto

A associação de moradores da comunidade Dois Irmãos, no bairro Rubem Berta, em Porto Alegre, tornou-se a legal proprietária do terreno que ocupa desde maio do ano passado. Mesmo com uma reintegração de posse marcada para esta terça-feira (17), o Grupo Habitasul, até então dono da área, concordou em negociar a compra do local. Em quatro dias, os moradores consolidaram a arrecadação do valor pedido pela empresa – não informado pelas partes.

A comunidade estava cercada pela Brigada Militar desde a noite de segunda-feira (16), devido ao despejo previsto para acontecer. Mas, ainda pela manhã, alguns dos líderes da associação foram até uma agênia bancária, onde depositaram o dinheiro. Depois, rumaram para o Fórum do Sarandi, onde oficializaram a transação. “Pelas 18h30, o pessoal comprou carne, botaram balão na ocupação, fizeram faixa, agradecendo a nós. A gente chegou e a festa estava armada, todo mundo chorando, se abraçando”, conta Josiane Zitto Carravetta, integrante da associação de moradores.

A compra diz respeito também à parte do terreno onde agora está a ocupação 20 de Setembro, ao lado da Dois Irmãos. Na primeira vez que ocuparam o local, as duas comunidades estavam juntas, mas após uma reintegração de posse, em setembro do ano passado, se dividiram. “A gente se uniu e chegamos lá. Nos avisaram da reintegração apenas dez dias antes, e quatro dias antes foi firmada a negociação. Tivemos três dias para correr atrás do dinheiro. Levamos R$ 10 mil só de moeda, cada um foi juntando o que podia pagar”, relata Josiane.

Transação antiga

Foto: Alina Souza/Sul21
Processo de regularização e acesso a serviços deve começar agora | Foto: Alina Souza/Sul21

Embora tenha se consolidado só agora, o processo de venda do terreno é antigo. Seis anos atrás, 42 pessoas compraram lotes de um homem, que os comprou diretamente da Habitasul. Na época, as tratativas foram intermediadas por esse comprador, mas, após um ano, o terreno não foi entregue aos compradores. A empresa afirmava que havia recebido apenas 20% do valor e rescindiu o contrato. Ao que tudo indica, o representante da associação teria vendido lotes para terceiros e “desaparecido”.

Cansados da espera, um grupo de compradores decidiu ocupar o terreno em maio do ano passado, junto a outros moradores que não haviam participado do processo inicial. Quando chegaram ao local, a Habitasul entrou com o processo de reintegração de posse, que chegou a ser cumprido em setembro. Ainda alegando ter pago parte do terreno, os moradores voltaram em setembro e permaneceram até agora.

Com a aprovação nesta segunda-feira (16) do projeto que qualifica ocupações como a Dois Irmãos e a 20 de Setembro como área especial de interesse social, os moradores agora aguardam o processo para a instalação de serviços, como luz e água. “Vamos trabalhar com calma, agora temos tempo para fazer tudo”, comemorou Josiane.
O diretor jurídico da Habitasul, Paulo Mallmann, explica que os moradores fizeram uma proposta que foi examinada pela empresa levando em conta o perfil socioeconômico dos ocupantes. “Achamos que por bem podíamos aceitar, até porque era um programa social”, ponderou. Apesar de ser uma empresa de empreendimentos imobiliários, a Habitasul não terá relação com o processo que acontecerá no terreno daqui em diante.

domingo, 27 de abril de 2014

Regularização fundiária - Sapucaia do Sul (RS)



Decreto que será assinado neste sábado beneficiará 200 famílias que vivem no local

A Prefeitura de Sapucaia do Sul, através da Secretaria Municipal de Habitação, segue realizando regularização fundiária na cidade. Desta vez serão beneficiadas 200 famílias que vivem no Loteamento Progresso, no bairro Ipiranga, e que há mais de duas décadas aguardam pela escritura dos seus lotes. O ato de assinatura do Decreto de Regularização Fundiária do Loteamento Progresso ocorre neste sábado, 26 de abril, às 19h, no salão da Igreja São Cristóvão (Rua Esplanada, nº159).

O prefeito Vilmar Ballin destacou que o Governo Municipal vem regularizando áreas e atendendo reivindicações históricas da população, porque tem como prioridade dar dignidade aos moradores de Sapucaia. “Governos anteriores não deram ouvidos aos pedidos destas pessoas, que apenas querem a segurança de serem donos dos locais onde moram”, falou.

Além da assinatura do decreto, a Associação de Moradores do Loteamento Progresso receberá o Projeto Urbanístico da área, aprovado e licenciado; e o Memorial Descritivo de todos os lotes e ruas. “O Governo Municipal assumiu junto à comunidade o compromisso de entregar à associação as peças técnicas que possibilitassem a regularização do loteamento. Com estes documentos que entregaremos no sábado, a Associação poderá solicitar no cartório de imóveis a abertura da matrícula dos lotes. Após, os moradores ganharão a anuência para lavrarem suas escrituras, e se tornarão donos dos seus lotes”, explicou o secretário municipal de Habitação, Tita Nunes.

Além do Loteamento Progresso, nos últimos cinco anos a Prefeitura já regularizou a Cooperativa Boa Esperança, beneficiando 110 famílias, a Cooperativa Renascer, com 120 famílias e, mais recentemente, o Loteamento Pedro Simon, com 560 famílias. Também está tramitando a regularização dos loteamentos Bela Vista I e Santa Luzia, que beneficiarão, respectivamente, 240 e 464 famílias.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Papel Passado - lista de municípios contemplados.

O Ministério das Cidades publicou, nesta segunda-feira (09/12), o resultado da primeira seleção de propostas do programa Papel Passado por meio da Portaria 575, no Diário Oficial da União (DOU). Com investimento de R$ 21,8 milhões, foram contempladas 66 propostas. Os recursos serão aplicados na regularização fundiária de 111 assentamentos em 66 municípios do país, beneficiando cerca de 28 mil famílias.
No processo de seleção foram priorizadas propostas que contemplam assentamentos irregulares consolidados com situação favorável ao processo de regularização fundiária através dos critérios definidos no art. 7º da Portaria nº 451, de 03 de outubro de 2013.
A partir da publicação, os estados e munícipios selecionados deverão adequar as propostas até esta terça-feira (10/12) no Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse (SICONV), conforme as orientações e prazos informados anteriormente pelo Ministério das Cidades.
Papel Passado - O programa Papel Passado é uma ação do Governo Federal, operada pela Secretaria Nacional de Acessibilidade e Programas Urbanos do Ministério das Cidades. O objetivo é garantir a regularização administrativa e jurídica da posse dos imóveis para o benefício dos moradores de assentamentos urbanos irregulares. A transferência de recursos federais permite a implementação de medidas técnicas, administrativas e jurídicas necessárias à regularização de edificações habitacionais residenciais e o parcelamento do solo urbano para a população de baixa renda.
Confira aqui a relação das propostas e o resultado da primeira seleção do Papel Passado.
Clique aqui para ler a Portaria nº 575 completa.
Clique aqui para ler a retificação da Portaria nº 575, que saiu publicada hoje no DOU.
Assessoria de Comunicação Social
Ministério das Cidades

terça-feira, 14 de maio de 2013

“As fronteiras da regularização fundiária” – Campinas-SP

Matéria publicada no Jornal da Unicamp sobre a tese defendida pelo Geógrafo Cristiano Silva da Rocha Diógenes (AGB Porto Alegre) com o título “Avanços e limites na regularização fundiária em Campinas: Vila Brandina, o estado de um lugar”.
Tese: “Avanços e limites na regularização fundiária em Campinas: Vila Brandina, o estado de um lugar”. Clique aqui para acessar o arquivo da tese. 
Autoria: Cristiano Silva da Rocha Diógenes
Orientação: Claudete de Castro Silva Vitte
Unidade: Instituto de Geociências (IG) – UNICAMP
Link da entrevista para a CBN Campinas.
Tese mostra que ações não têm sido capazes de garantir o direito à moradia e mitigar a segregação socioespacial
Fotos: Divulgação
Edição de Imagens: Diana Melo

Seu Tião reside em uma das mais antigas e maiores favelas de Campinas, a Vila Brandina, iniciada na década de 1960. Aos poucos, viu a comunidade ladeada por shopping center, condomínio de luxo, hipermercado. Suas informações, assim como sua história de lutas e conquistas desde a década de 1980 contribuíram para a construção da tese de Cristiano Silva da Rocha Diógenes. A pesquisa, defendida no Instituto de Geociências (IG) da Unicamp, revela a ineficácia das ações de regularização fundiária, as quais se resumiam a iniciativas pontuais e promessas não cumpridas. Na verdade, segundo Rocha, as ações não previam uma regularização e serviam com paliativo. Os títulos de concessão de moradia, por exemplo, não eram hereditários, o que levou algumas famílias a perderem o direito de morar em caso de falecimento do beneficiado.
Rocha faz sua análise de dentro do ambiente da Vila Brandina, onde passou quatro anos na companhia de pessoas da comunidade, como seu Tião. Lá, realizou um minicenso que permitiu identificar as ações ineficazes responsáveis pela segregação socioespacial persistente em uma região que se valorizou sobremaneira no município de Campinas.
Apesar de toda a infraestrutura ao redor, o pesquisador observou problemas como a grande distância entre a população e o posto de saúde autorizado a atendê-la, localizado no distrito de Sousas. Além disso, levantou problemas quanto à circulação de ônibus. “Não há, por exemplo, uma linha de ônibus direta para o posto de saúde.” Para situar, a Brandina está próxima ao Shopping Iguatemi. Essas observações detalhistas da realidade serviram para um estudo dos limites das políticas de regularização fundiária na cidade. A partir de várias experiências selecionadas, sua tese é de que as políticas de regularização fundiária não têm sido capazes de garantir a efetivação do direito à moradia e o combate à segregação socioespacial. “Há, na Vila Brandina certa ausência de Estado. As creches são comunitárias e os principais agentes de apoio são as ONGS e voluntários que se dispõem a ajudar”, reforça Rocha. O único local em que se percebe a presença do Estado é na escola, mas, ainda assim, diante da vulnerabilidade, algumas crianças encontram-se fora dela.
Seu Tião e outros moradores participaram na década de 1980 do Movimento Assembleia do Povo, que teve como um dos representantes o ex-prefeito de Campinas Antônio Costa Santos, o Toninho, arquiteto e urbanista assassinado em setembro de 2001. Entre as informações compartilhadas com o pesquisador, ele fala sobre a insegurança de moradia da população que habita a Vila Brandina. “Eles não têm segurança de poder permanecer, pois não há certeza de que o terreno os pertence”, acrescenta Rocha. O movimento, segundo o pesquisador, foi um dos principais no Brasil. A segregação espacial é evidente, pois a vila ficou cada vez mais enclausurada com o crescimento de condomínios fechados.
O movimento, conforme Rocha, não teve outro representante tão comprometido como Toninho. Depois de sua morte, muitas ações foram esquecidas, sejam do ponto de vista da urbanização ou de riscos ambientais. Ele lembra que outras áreas de Campinas, como a Avenida Orosimbo Maia, também se localizam em áreas de fragilidade ambiental, pela proximidade do leito de rio, e foram regularizadas. “Quando o assunto é favela, percebe-se certo descaso”, reflete.
Os limites relacionados à regularização fundiária podem ser pensados sob três aspectos diferentes. Em relação à legislação, Rocha constata que os limites estão nos instrumentos disponíveis tanto no âmbito federal quanto no Estatuto da Cidade. Assim como o Plano Nacional de Regularização Fundiária, eles não comportam instrumentos de regularização imediata, mas só remetem aos Planos Diretores as possibilidades de resolução. Isso é um problema para Campinas, por exemplo, em que o Plano Diretor remete a outros instrumentos, como os Planos Locais de Gestão. Estes últimos seriam importantes não fossem as Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis), pois não basta demarcar a área de regularização fundiária, é preciso que todo o processo seja levado adiante, nas várias dimensões elencadas: a jurídica, a urbanística, a registral e a socioambiental, argumenta Rocha. “A Zeis deveria ser autoaplicável, ou seja, quando demarcada, já deveria fixar metas e prazos para regularização.”
O segundo limite dos Planos Locais de Gestão encontra-se na demora em ser efetivados. Ele acrescenta que, em 2006, o Plano Diretor encaminhou para os Planos Locais grande parte dos instrumentos de regularização, mas até 2012 nenhum plano havia sido aprovado pela Câmara de Vereadores e entrado em vigor. As consequências da morosidade dos processos são o retardamento da efetivação da regularização fundiária e a defasagem de estudos relacionados aos Planos, já que alguns, embora já estejam prontos, ainda aguardam aprovação.
Além da questão da saúde e do sistema de transporte, há descuido também com a coleta e a destinação de resíduos sólidos. Como há um número importante de catadores no local, Rocha acredita que deveria haver mais galpões de armazenamento e ao menos um galpão de reciclagem onde esses membros poderiam desenvolver suas atividades, minimizando os impactos ambientais negativos e ampliando os positivos. Ele explica que, por ter ruas estreitas, comunidades como a da Vila Brandina não permitem a passagem de caminhões de coleta de lixo por todos os locais.
O principal limite a ser superado, em relação à urbanização de áreas irregulares, é o da segregação institucionalizada, praticada pelo próprio Estado. “É inconcebível que em uma área irregular, rodeada por áreas com oferta diversificada de serviços, equipamentos e outras urbanidades, sofra com uma pavimentação de baixíssima qualidade, com carência de serviços de coleta de lixo e limpeza de vias públicas.” Segundo Rocha, a cidade como direito será materializada na vida de seus habitantes.
Outro limite a ser superado é o que diz respeito ao registro cartorial. A tese demonstra que em Campinas poucos assentamentos em Campinas chegaram à etapa da entrega de títulos, seja de propriedade ou de concessão. O número de moradias com registro regularizado é praticamente insignificante. A Vila Brandina luta há mais de 30 anos para regularizar a área. “E não é apenas uma questão formal, já que o registro garante muito mais que a posse do imóvel. Garante o direito de permanência, à dignidade, o direito de ter reconhecido o direito à moradia, e o mais importante, o reconhecimento à vida de quem de fato ocupa o espaço segundo sua função social.”
Para Rocha, é fundamental que o sistema de registros seja desburocratizado, facilitado e agilizado. Os processos de regularização, seja por usucapião ou da Concessão do Direito de Uso para Fins de Moradia, precisam ser mais ágeis, contar com uma vara específica no Poder Judiciário, com flexibilização no sistema cartorial e não apenas com isenção de taxas, segundo Rocha.
SEM POLÍTICAS PÚBLICAS
Existe insuficiência de políticas públicas de habitação no Brasil, na opinião de Rocha. Para ele, é preciso que haja um cessar da necessidade de ocupar áreas irregulares, mas o montante de recursos destinados para construção de novas moradias não tem sido suficiente para atender a demanda atual e nem mesmo as futuras. Ele acrescenta que a despeito de todas as políticas de fiscalização adotadas pela Prefeitura de Campinas, novos assentamentos surgiram, novas casas foram construídas e o adensamento continua muito superior ao da cidade formal. “A política de fiscalização não pode ser confundida com a de prevenção de ocupação de áreas de risco, pois uma política de prevenção pressupõe investimento em construção de moradias para aqueles que não podem pagar, ou só podem pagar pouco.”
O plano Minha Casa Minha Vida, do governo federal, ainda não mostrou resultados efetivos mesmo porque é muito mais uma política de financiamento que habitacional, segundo Rocha. Além disso, o número previsto para construção de moradias, principalmente para famílias que ganham até três salários mínimos, faixa de renda com grande parte do déficit habitacional e da precariedade de moradias, é muito baixo.
Mesmo diante de tantos desafios revelados durante a pesquisa, a política de regularização fundiária é necessária. Não apenas do ponto de vista urbanístico e legal, mas principalmente do ponto de vista social e espacial. “É preciso integrar, definitivamente, a população que mora em áreas irregulares à cidade regular, à cidade formal. A cidade como direito só pode ser materializada a partir da regularização e do acesso pleno a ela, o que as famílias de baixa renda ainda não podem usufruir. A regularização fundiária é um avanço conquistado pelos movimentos sociais da luta por moradia, mas é preciso mais. É preciso avançar na busca da efetivação do direito à moradia, à permanência e à cidade.”

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

1º Seminário de Regularização Fundiária da Paraíba - Apresentações

As apresentações abaixo foram discutidas no 1º Seminário de Regularização Fundiária da Paraíba - "Para Avançar na Regularização Fundiária Urbana na Paraíba".

As ilustrações mostram os tópicos dos conteúdos de cada mesa. Para fazer download das apresentações completas clique nos links indicados.

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Download.

sábado, 2 de abril de 2011

Contratos ilícitos da COHAB-CT: as falácias da regularização fundiária oficial

Publicado em Terra de Direitos

Assembleia Popular - SabaráFicha Técnica
Caso: Contratos ilícitos da COHAB-CT: as falácias da regularização fundiária oficial
Localização: Diversas localidades – Município de Curitiba, Paraná.
Resumo: Durante a década de 90, os programas de regularização fundiária do Município de Curitiba, implementados pela COHAB-CT, lesaram milhares de famílias ao realizarem contratos capciosos e de duvidosa validade jurídica em diversas áreas de ocupação popular. Hoje reconhecidos como nulos pela Justiça brasileira, em sede de Ação Civil Pública, os Termos de Concessão de Uso do Solo ilegais são motivo para organização e mobilização das comunidades afetadas na luta por seus direitos violados.
Contexto Histórico: Nos anos de 1993 a 1995, a Companhia de Habitação Popular de Curitiba (COHAB-CT) realizou mais de 37.000 contratos onerosos chamados “Termos de Concessão de Uso do Solo”, com diversas comunidades da Região Metropolitana de Curitiba, alegadamente com vistas a promover a regularização fundiária dessas áreas. Contudo, passados alguns anos, moradores de diversas “vilas” da região, procuraram as Promotorias locais para queixar-se sobre a mora e as expectativas frustradas do processo. Esse movimento levou o Ministério Público do Estado do Paraná a ajuizar Ação Civil Pública, no ano de 2002, com vistas à declaração de nulidade desses contratos, depois de neles identificar inúmeras ilegalidades.
Os referidos Termos de Concessão de Uso do Solo (TCUS) foram elaborados à margem da Lei n. 6.766, desrespeitando vários dos requisitos de parcelamento do solo e a partir de negociações sobre áreas das quais a sociedade de economia mista não era proprietária. Além disso, os negócios realizados eram obscuros e assemelhavam-se a contratos de adesão, de modo que os moradores não conheciam suas condições ou não podiam negociá-las. Mesmo após haverem quitado os valores devidos, tampouco lograram obter o título de propriedade dos imóveis junto aos cartórios, uma vez que as matrículas inexistiam ou não haviam sido loteadas pela COHAB-CT. À parte os direitos econômicos e obrigacionais evidentemente desrespeitados no caso, a dimensão social do direito à moradia foi fortemente ofendida pela insegurança jurídica da posse, resultante da regularização fundiária inexistente ou deficitária do Poder Público.
Entre os grupos lesados pelos projetos e instrumentos jurídicos utilizados pela COHAB-CT estão os moradores da região denominada Sabará, localizada no bairro “Cidade Industrial”. Já organizadas e com Associações de Moradores constituídas e legitimadas, essas comunidades, através de suas lideranças políticas, têm atualmente articulado e unificado os atores locais em suas reivindicações numa Comissão específica, pois as situações e interesses são bastante diversos em cada área.
Ações desenvolvidas: A Terra de Direitos requereu habilitação de sete associações de moradores no processo, na condição de interessadas, e, paralelamente, propôs e acompanha Ações de Usucapião sobre algumas das áreas afetadas. Além disso, compõe com outras organizações a Comissão Mista encabeçada pelas comunidades afetadas para encaminhar coletivamente as decisões políticas sobre o caso. Trabalhou em parceria com o Ministério Público durante todas as fases da Ação Civil Pública e contribuiu na informação e interação das comunidades com o Poder Judiciário e órgãos da Administração Pública, além de contribuir na organização conjunta de assembleias, reuniões e manifestações populares locais.
Situação do(s) processo(s): A ACP teve decisões favoráveis aos moradores em todos os graus de jurisdição e, em fevereiro de 2010, o Recuso Especial da COHAB-CT foi julgado pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo sido mantidas as decisões do Juízo de origem e do Tribunal de Justiça do Paraná, para anular os contratos. No entanto, as mesmas, embora definitivas, não estabeleceram explicitamente obrigação de fazer, restando pendentes tanto os valores cobrados indevidamente e que devem ser restituídos, quanto a própria realização da regularização fundiária, ainda não iniciada ou incompleta em muitas das áreas. Neste momento, as comunidades e a Terra de Direitos, junto a outros parceiros da sociedade civil e dos movimentos sociais trabalham na perspectiva de execução e implementação da sentença, buscando capilarizar e mapear as diversas classes de demandas presentes na região para a reparação dos direitos violados e a efetivação da regularização fundiária plena.